sábado, 27 de junho de 2009

os vidros do teu carro

Com saudades te digo que este amor pelas borboletas já não é o mesmo que te punha a rir de mim há uns anos atrás. Começou a levar a sério esta minha paixão parola pelos seres delicados que chocavam contra os vidros e isso lhe roubou o encanto.
Lembro-me que quando fiz a primeira amiga borboleta, tu passou uma semana inteira a falar com os vasos da minha casa só para me irritar, eu fazia uma expressão zangada pelas tuas repetitivas investidas, mas cá dentro dava-me um prazer enorme te ver intrigado com tanta falta de normalidade nesta minha maneira de ser.
Eu sempre amei as borboletas e o seu amor pelas flores, sempre quis saber amar as palavras como elas amam o saber voar, gostaria de me esborrachar em frases como elas, pobres desvairadas, se esborracham contra os vidros do teu carro.
Um dia tu paraste de rir de mim e das minhas conversas mudas com as pobres das borboletas, começou a habituar-te a elas como elas se começaram a habituar a evitar os vidros do teu carro, deixou de te encantar por este mundo com asas que era o meu e o das minhas borboletas, criou as tuas próprias asas de vento e um dia sem que eu desse por isso esborrachaste-te contra o vidro do teu próprio carro.

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